quinta-feira, 21 de agosto de 2008

STRANGE FRUITS - Um tema Delicado


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Primeiro, leiam a tradução e depois acompanhem a letra.

Estranho Fruto

''Árvores sulistas têm um estranho fruto,
Sangue nas folhas e sangue na raiz,
Corpo negro balançando ao sopro da brisa do Sul,
Fruto estranho pendente em álamos.
Cena pastoral do Sul galante,
Os olhos esbugalhados e a boca torcida,
Perfume de magnólia doce e fresco,
E o súbito cheiro de carne queimada!
Eis um fruto para os corvos bicarem,
Para a chuva arrancar, para o vento sugar,
para o sol apodrecer, para uma árvore deixar cair,
Eis uma estranha e amarga colheita''


É verdade, não se trata de Blues; da forma que nos habituamos a ouvir... mas é puro Blues pela letra, pela interpretação. Reza a lenda que Billie Holiday não se continha e chorava a cada vez que interpretava essa musica.

Strange Fruits
Billie Holiday – Gravação de 1940

"Southern trees bear strange fruit,
Blood on the leaves and blood at the root,
Black bodies swinging in the southern breeze,
Strange fruit hanging from the poplar trees.
Pastoral scene of the gallant south,
Of the bulging eyes and the twisted mouth,
Scent of magnolias, sweet and fresh,
Then the sudden smell of burning flesh.
Here is fruit for the crows to pluck,
For the rain to gather, for the wind to suck,
For the sun to rot, for the trees to drop,
Here is a strange and bitter crop"


- music and lyrics by Lewis Allan, ©1940

Conta a história dos estranhos frutos que cresciam nas árvores do Sul dos Estados Unidos, quando negros eram perseguidos e linchados sob as vistas e aplausos de centenas, milhares de pessoas, todas brancas.

LINCHAMENTOS DE NEGROS

Esssas cenas eram comuns... e nesse endereço vocês irão encontrar fotos desses linchamentos, clicando em 'NEXT'.

http://www.americanlynching.com/pic1.htm

Pergunto a vocês... são ou não são estranhos frutos?

Linchagem, linchamento ou lei de Lynch é o assassinato de um indivíduo, geralmente por uma multidão, sem procedimento judiciário legal e em detrimento dos direitos básicos de todo cidadão.

Muitos autores atribuem a origem da palavra ao coronel Charles Lynch, que praticava o ato por volta de 1782, durante a guerra de independência dos Estados Unidos da América, ao tratar dos pró-britânicos. Entretanto, é mais seguidamente atribuída ao capitão William Lynch (1742-1820), do condado de Pittsylvania, Virgínia, que manteve um comitê para manutenção da ordem durante a revolução, por volta de 1780.

A « lei de Lynch » deu origem à palavra linchamento, em 1837, designando o desencadeamento do ódio racial contra os índios, principalmente na Nova Inglaterra, apesar das leis que os protegiam, bem como contra os negros perseguidos pelos "comitês de vigilância" que darão origem ao Ku Klux Klan. No sul, é a desconfiança da lei e a reivindicação de anarquia que favoreceram seu desenvolvimento.

Nos Estados Unidos, antes da Guerra Civil, o linchamento era usado principalmente contra defensores dos direitos civis, ladrões de cavalos e trapaceiros. No entanto, por volta de 1880, seu uso se expandiu para grupos de status social supostamente mais baixo, como negros, judeus, índios e imigrantes asiáticos.

A prática do linchamento ficou particularmente associada ao assassinato de negros no sul dos Estados Unidos no período anterior às reformas dos direitos civis da década de 1960. Menos de 1% dos participantes de linchamentos nos EUA foram presos. Mais de 85% dos estimados 5000 linchamentos do período posterior à guerra civil ocorreram nos estados do sul, mas o problema era nacional, com um ápice em 1892, quando 161 negros foram linchados.

fonte: Wikipedia


A KU KLUX KLAN

Ku Klux Klan (também conhecida como KKK) é o nome de várias organizações racistas dos Estados Unidos que apóiam a supremacia branca e o protestantismo (padrão conhecido também como WASP) em detrimento a outras religiões. A KKK, em seu período mais forte, foi localizada principalmente na região sul de tal país, em estados como Texas e Mississipi.



A primeira Ku Klux Klan na verdade foi fundada por 60 amigos da cidade de Pulaski, Tennessee, em 1865 após o final da Guerra Civil americana. Seu objetivo era impedir a integração social dos negros recém-libertados, como por exemplo, adquirir terras, ter direitos concedidos aos outros cidadãos, como votar. O nome, cujo registro mais antigo é de 1867, parece derivar da palavra grega kyklos, que significa 'círculo, anel', e da palavra inglesa clan (clã) escrita com k. Devido aos métodos violentos da KKK, há a hipótese de o nome ter-se inspirado no som feito quando se coloca um rifle pronto para atirar.

Em 1872 o grupo foi reconhecido como uma entidade terrorista e foi banida dos Estados Unidos.



O segundo grupo que utilizou o mesmo nome foi fundado em 1915 (alguns dizem que foi em função do lançamento do filme O Nascimento de uma Nação, naquele mesmo ano) em Atlanta por William J. Simmons. Este grupo foi criado como uma organização fraternal e lutou pelo domínio dos brancos protestantes sobre os negros, católicos, judeus e asiáticos, assim como outros imigrantes. Este grupo ficou famoso pelos linchamentos e outras atividades violentas contra seus "inimigos". Chegou a ter 4 milhões de membros na década de 1920, incluindo muitos políticos. A popularidade do grupo caiu durante a Grande Depressão e durante a Segunda Guerra Mundial.



DECADÊNCIA DA KKK

A perda de respeitabilidade da Ku Klux Klan, unida a divisões internas, levou à degradação de seu público, apesar de a organização continuar a realizar expedições punitivas, desempenhando por exemplo o papel de supervisora de uma agremiação de patrões contra os sindicalistas, cuja cota estava em alta depois da crise de 1929.

Nos anos 1930, o nazismo exerceu uma certa atração sobre a Ku Klux Klan. Não passou disso, porém. A aproximação com germanistas foi bruscamente encerrada na Segunda Guerra Mundial, depois do ataque japonês à base americana de Pearl Harbor, quando muitos membros se alistaram no exército para lutar contra o "perigo amarelo". Só faltava o tiro de misericórdia ao império invisível. Em 1944, o serviço de contribuições diretas cobrou uma dívida da Klan, pendente desde 1920. Incapaz de honrar o compromisso, a organização morreu pela segunda vez.

Apesar de diversas tentativas de ressurreição (num âmbito mais local que nacional), a Ku Klux Klan não obteve mais o sucesso de antes da guerra. As mentalidades evoluíram. A ameaça de crise estava a partir de então descartada, tendo o soldado negro mostrado que era capaz de derramar tanto sangue quanto o branco.

Finalmente, o "traidor" Stetson Kennedy contribuiu para desmistificar a organização, liberando todos os seus segredos no livro "Eu fiz parte da Ku Klux Klan". Alguns klanistas ainda insistiram e suscitaram, temporariamente, uma retomada de interesse entre os WASP (sigla em inglês para protestantes brancos anglo-saxões) frustrados, que não compunham mais a maioria da população americana.



Nos ano de 1950, a promulgação da lei contra a segregação nas escolas públicas despertou novamente algumas paixões, e cruzes se acenderam. Seguiram-se batalhas, casas dinamitadas e novos crimes (29 mortos de 1956 a 1963, entre eles 11 brancos, durante protestos raciais). Os klanistas tentaram se reciclar no anticomunismo, combatendo os índios ou atenuando seu anticatolicismo fanático.

Mas nada surtiu grande efeito e o declínio da Klan já tinha começado desde o fim dos anos 1960, época em que só contava com algumas dezenas de milhares de membros. Depois, podia-se tentar distinguir os Imperial Klans of America dos Knights of the Ku Klux Klan, ou ainda dos Knights of the White Camelia, alguns dos vários nomes das tentativas de ressurgimento.

Mas os klanistas não eram mais uma organização de massa. Apesar das proclamações tonitruantes e de provocações episódicas, as "Klans" não reuniam mais do que alguns milhares de membros, comparáveis assim com outros grupelhos neonazistas com os quais às vezes mantinham relações. A organização não parece estar perto de renascer uma segunda vez.

Hoje a Ku Klux Klan, conta apenas com um efetivo de 3 mil homens em todos os estados confederados, apesar do baixo número de associados, muitos não associados apoiam a organização.

fonte: Wikipedia


Nota: Isso foi postado pelo nosso querido Joka na nossa comunidade do Orkut. É impossível entender a história do blues sem saber o que acontecia e em que situação se encontravam os negros naquela época. A perseguição racial que eles eram submetidos não era nada fácil. Infelizmente, ainda hoje muitas pessoas não entenderam que a pigmentação da pele não garante poder perante as outras pessoas e que todos os seres humanos são iguais.</

2 comentários:

Frederico Reiser disse...

Adorei o texto! Vocês poderiam também colocar poesias do grande poeta Langston Hughes. Não tem muito a ver com o Blues diretamente, mas sei que várias pessoas irão admirar suas obras. Um grande abraço e sucesso com o blog.

Anônimo disse...

Boa Tarde! a musica e o texto sao muito bons.
gostaria de saber se nao conhece nenhum livro (historia) que fale sobre linchamentos.
help

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